publicidade
Publicidade
Fim da escala 6×1: Necessária ou mudança sem planejamento?
Pleno News

Fim da escala 6×1: Necessária ou mudança sem planejamento?

Por Thassya Prado
12 de March, 2026
32 Visualizações
Imagem da Notícia: Fim da escala 6×1: Necessária ou mudança sem planejamento?

Thassya Prado - 12/03/2026 12h15

Protesto pelo fim da escala 6×1, em São Paulo Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

É inegável que o fim da escala 6×1 é o assunto da vez. Com inegável apelo político, a possível mudança polariza, ainda mais, as relações de trabalho. Uma diminuta parcela, está realmente, pensando no melhor para o empregado, sua saúde, vida privada e bem-estar. A grande maioria reforça o contexto em que o empregador é o vilão e o empregado a vítima.

No Brasil, as empresas têm que administrar as relações de trabalho de acordo com o contexto. Infelizmente, o contexto dos últimos anos é de insegurança jurídica.

Publicidade

Ocorre que não há nada concreto com relação ao fim da escala 6×1. Afinal, realmente vai acabar? Se vai acabar, será de que maneira? Será permitida a redução gradual ou haverá permissão para redução de salário? A aplicação será para todos os empregados ou apenas aos novos?

O texto precisará detalhar a forma como será implementada a legislação ou estaremos, mais uma vez, diante da grande insegurança jurídica e legislativa que o país se encontra. Portanto, evidente que não há um cenário consolidado, o que possibilita, apenas, a suposição de cenários.

A única certeza é que teremos impacto para todos da relação de trabalho, em especial, aos empregados e empresas. Mas, também, aos sindicatos e ao Estado.

Nos últimos meses, o debate sobre jornada se concentrou em propostas que alteram o texto constitucional sobre tempo de trabalho, com sugestão para reduzir o espaço para organizar as jornadas antes com seis dias consecutivos de trabalho, forçando alterações de turnos, dimensionamento de equipes e instrumentos de compensação.

O risco é conhecido: mexer na Constituição Federal nessa magnitude, sem combinar transição, negociação coletiva e diferenciação por atividade, certamente prolonga a insegurança jurídica e sobrecarrega, ainda mais, o Judiciário de disputas que duram anos.

Se aprovada, a mudança não será apenas trocar uma escala por outra. É certo que ela tende a redefinir a demarcação entre tempo de trabalho e tempo livre, com potencial de melhorar bem-estar e vida social do empregado. No entanto, será exigido um redesenho operacional amplo, principalmente em serviços e comércio, com impacto direto em turnos, cobertura e custos ao empresário.

Para que funcione é imprescindível intensificar a negociação coletiva e os ajustes jurídicos, até que surjam parâmetros estáveis e compatíveis com cada realidade produtiva.

O problema é que uma aprovação apressada, sem estudos detalhados, sem diálogo com trabalhadores, empresas e setores mais afetados e ainda por cima conduzida em clima de polarização dificilmente entrega equilíbrio.

O risco, nesse cenário, é trocar uma distorção por outras: mais informalidade e precarização, mais descumprimento por inviabilidade prática e um aumento prolongado de disputas e processos, aprofundando a insegurança jurídica e a tensão nas relações de trabalho.

Em vez de vencer no grito, uma reforma desse porte precisa de regras claras de transição e mecanismos negociados que permitam adaptar a jornada sem empurrar o sistema para o litígio, sob pena de a solução prometida virar apenas um novo foco de conflito.

Thassya Prado é advogada empresarial e idealizadora do @entendaseudireito. CEO do escritório Prado Advocacia Empresarial, Compliance e Tribunais, é  especialista em Gestão de Pessoas, Gestão Empresarial e Tribunais Superiores. Atua ainda como mentora de advogados.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News. Comunicar erro Comunicar erro

Se você encontrou erro neste texto, por favor preencha os campos abaixo. Sua mensagem e o link da página serão enviados automaticamente à redação do Pleno.News, que checará a informação.

Nome Completo E-mail Telefone Descrição do erro
  • Mais Recentes

    TSE autoriza federação partidária entre União Brasil e PP Justiça da Itália aceita extradição de Carla Zambelli ao Brasil Marido é condenado pela morte da cantora gospel Sara Mariano Israel mata comandante naval do Irã responsável por fechar Ormuz Guerra no Irã pode encarecer ovo, frango e carne suína no Brasil
WhatsApp
Entre e receba as notícias do dia
Entrar no Canal Telegram Entre e receba as notícias do dia Entrar no Grupo O autor da mensagem, e não o Pleno.News, é o responsável pelo comentário.

Espalhe a notícia

Comentários (0)

0 / 500
Publicidade
Publicidade
Ao Vivo

Rádio97Web

Sintonize a Emoção